segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

capítulo setenta e cinco.

Saí correndo dali, subi e entrei no quarto. Fui pro banheiro, tranquei a porta, sentei ali no chão e comecei a chorar. Talvez eu tenha cometido o maior erro da minha vida falando ‘não’ pro júnior, mas esse não é o momento para eu responder uma pergunta dessas, eu não me sinto preparada pra tomar uma decisão tão importante na minha vida, ainda mais depois dos últimos acontecimentos. 

  • Júnior on

Ouvir aquele não da Eduarda parece que partiu meu coração em mil pedaços. Ela saiu correndo ali na da sala, me deixando sem explicação e com todo mundo me olhando. Juro que eu queria cavar um buraco, me enterrar ali e não sair mais. Eu não sabia o que fazer, eu não tinha reação nenhuma. Me senti paralisado.

analu: e-eu vou lá falar com ela - a tia analu subiu.

gil: tudo bem, irmão?

júnior: se eu falar que sim, vou estar mentindo 

giovani: o que será que deu na duda?

júnior: eu também queria saber… o que eu fiz de errado?

neymar: você não fez nada de errado, filho 

júnior: mas tem que ter alguma explicação, sei lá.

giovani: eu vou lá - ele subiu também 

jota: não vai lá falar com ela?

júnior: eu nem sei o que falar com ela

Ficou aquele clima tenso ali na sala e eu fui lá pra fora para espairecer.

  • Júnior off

Fiquei ali chorando quietinha quando ouvi alguém batendo na porta.

analu: filha, abre aqui… por favor, quero conversar com você.

eduarda: eu quero ficar sozinha, mãe.

analu: não, a gente precisa conversar. Abre aqui, por favor.

Respirei fundo e abri a porta. Abracei minha mãe e chorei mais ainda.

eduarda: eu acho que estraguei tudo.

analu: calma, não pensa nisso agora.

O gi apareceu ali também.

giovani: duda, o que aconteceu?

eduarda: eu não sei, gi 

analu: nós estamos aqui com você, pro que você precisar.

Saímos do banheiro e sentamos ali na cama. 

eduarda: eu amo o júnior, mas eu não consigo falar sim pra ele agora.

giovani: tudo bem, duda. Você pode conversar com ele e explicar o que você tá sentindo.

eduarda: eu não sei se quero isso.

analu: mas por que, minha filha?

eduarda: mãe eu me senti pressionada a falar sim pra ele, parece que ele só fez esse pedido como se fosse uma coisa pra me consolar depois da perda do nosso bebê, por pena de mim.

giovani: claro que não 

eduarda: eu não quero que ele me peça em casamento por pena, pra ver se eu fico mais feliz. Nada substitui tudo o que eu passei e nem vai substituir.

analu: eu vou chamar o juninho e vocês conversam.

eduarda: eu não sei se quero conversar com ele e nem sei se ele quer conversar comigo.

analu: claro que ele quer, eu vou lá - minha mãe saiu do quarto.

eduarda: eu sei que estraguei tudo.

giovani: para, duda. Não fala isso - ele me abraçou e beijou minha testa - nós estamos aqui, pro que você precisar.

eduarda: obrigada, gi.

Minha mãe entrou ali no quarto com o júnior.

analu: gi, vamos descer - eles foram saindo - conversem - minha mãe fechou a porta do quarto. 

júnior: sua mãe disse que você quer conversar comigo.

eduarda: e-eu nem sei o que te falar, júnior. 

júnior: pode começar falando o porque você me disse não. Você quer terminar, é isso?

eduarda: júnior, eu nem sei o que estou sentindo nesse momento, olha o turbilhão de sentimentos que nós passamos nas últimas semanas. Eu não to pronta pra isso e eu não quero que você pense que um pedido de casamento vai fazer eu me sentir melhor depois de tudo isso que eu passei. Eu ainda to sofrendo muito, júnior, não quero que você sinta pena de mim e me peça em casamento por pena.

júnior: eu não pedi você em casamento por pena, pedi porque te amo e quero sim construir uma vida e uma família com você. Não duvida do meu amor por você, eduarda. 

eduarda: eu não sei o que pensar - passei a mão no rosto - eu nem sei o que eu quero pra minha vida nesse momento.

júnior: você não quer mais ficar comigo, é isso? você quer terminar?

eduarda: jú, eu não falei isso.

júnior: pra mim é o que você tá demonstrando, duvidando do meu amor, achando que eu fiz isso por pena. Desde quando você duvidou dos meus sentimentos, eduarda? Eu sempre te disse abertamente o quanto te amo e que você é a mulher da minha vida, não duvida nunca do meu amor por você.

eduarda: ultimamente eu tenho duvidado até de mim mesma.

júnior: duda, me ajuda a te ajudar, porque você tá me deixando mais confuso ainda.

eduarda: eu nem sei como eu posso me ajudar… eu quero ir pro Brasil, ficar com a minha família, eu preciso de um tempo pra minha cabeça.

júnior: um tempo? - fechei os olhos, assenti que sim e as lágrimas foram caindo - tudo bem, eu não vou te forçar a nada. Acho que você deve fazer o que é melhor pra você mesmo.

eduarda: me perdoa…

júnior: não precisa me pedir perdão, você tá seguindo o seu coração - ele levantou e beijou minha testa - vou te deixar sozinha - ele saiu do quarto.

Foi só o júnior sair que eu desabei. Chorei muito, de ficar com o rosto inchado. Eu só queria ir embora daqui e parar de fazer o júnior sofrer, porque eu sei que estou fazendo ele sofrer com essas minhas atitudes. Fui atrás da minha mãe e do giovani, falei pra eles que ia embora e já fui catar uma passagem no mesmo voo que o deles. Dei muita sorte por ter conseguido e então, comecei a arrumar minhas coisas. Nunca pensei que iria embora de Paris assim. Na hora de dormir, fui pro quarto onde minha mãe estava, para dormir com ela.

analu: tá certa da sua decisão?

eduarda: eu nem tenho mais o que fazer agora.

analu: você pode mudar tudo isso.

eduarda: eu não posso ficar brincando com os sentimentos do júnior.

analu: ai, minha filha. Vem cá - ela me abraçou - você é tão cabeça dura, mas eu não posso julgar o que você está sentindo, ainda mais depois de tudo que você passou. Espero que esse tempo no Brasil faça você refletir sobre tudo isso.

eduarda: eu também.

Minha mãe ficou me dando um pouco mais de carinho e depois dormiu. Mas quem disse que eu consegui dormir? Fiquei rolando na cama a noite toda, sem conseguir dormir e com mil coisas na minha cabeça.

Sábado, 31 de outubro 2020

Chegou o dia de ir embora. Levantamos cedo da cama, porque o voo é agora pela manhã. Meu coração estava a mil, mas ao mesmo tempo partido em mil pedaços. Tomei um banho, me arrumei, ajeitei minha última mala e estava pronta para ir embora. Minha mãe e o giovani desceram para tomar café mas eu não quis ir, acho que não consigo encarar o pessoal daqui de frente, to me sentindo culpada por tudo isso que aconteceu. Quando estava tudo certo, descemos com as nossas malas e o pessoal estava ali na sala, menos o júnior. Fui abraçando todos eles e me desculpando por tudo que fiz. 

neymar: você não precisa pedir desculpa, duda. Você precisa seguir seu coração. 

eduarda: cadê o júnior?

jota: ele não quis ver você indo embora e saiu 

eduarda: eu entendo ele… bom, vamos?

giovani: vamos 

Nosso taxi já estava a nossa espera, colocamos as malas no porta-malas, entramos no táxi e o motorista deu partida.

  • Júnior on 

Ainda não consigo acreditar que a eduarda tá indo embora pro Brasil e deixando toda a nossa história pra trás. Só consigo ficar me perguntando o que eu fiz de errado pra ela ir embora assim, me dando uma explicação sem sentido nenhum e deixando pra trás tudo o que nós já vivemos, como se nossa história fosse descartável. Hoje é o dia que ela está indo, então resolvi sair de casa porque não estou pronto para ver a cena da mulher da minha vida me deixando. Fui pra casa do marquinhos, para poder me distrair. Assim que cheguei, contei a história pra carol.

carol: ai, ney. Vocês se amam, por que isso?

júnior: eu não sei, carol. Eu não sei mesmo, eu só queria que a gente conversasse e se resolvesse, sei lá. Ela disse que eu só fiz esse pedido por pena, por pena.

carol: vocês passaram por um momento muito difícil com a perda do bebê, acho que tudo isso podia ser resolvido com conversa.

júnior: eu tentei, carol. Eu juro que tentei, mas eu não sei o que se passa na cabeça da eduarda nesse momento, eu merecia uma explicação - já fiquei com os olhos marejados - eu to perdido, não sei como vai ser minha vida sem ela.

carol: vem cá, amigo - ela me abraçou - você sabe que tem a gente pro que precisar.

marquinhos: é verdade, irmão. Estamos aqui com você e nossa casa vai estar sempre com as portas abertas pra você.

júnior: obrigado - enxuguei minhas lágrimas.

Ficar aqui fez a minha mente esquecer um pouco tudo isso e principalmente a companhia das crianças me distraíram bastante. Senti meu celular vibrar, quando vi a notificação “Duda ❤️” meu coração acelerou muito e parecia até que ia sair do peito. Saí ali da sala e fui para outro cômodo ler a mensagem dela. 

Queria muito poder te dar um abraço antes de ir embora e poder me desculpar pessoalmente com você

Me perdoa por tudo que te fiz

Eu nunca quis te fazer sofrer, mas sei que um dia você vai entender tudo isso que eu fiz

Eu vou amar você por todos os dias da minha vida, até o final dela, com todas as minhas forças

Você foi e sempre vai ser a melhor pessoa que eu tive na vida

Obrigada por tudo que você fez por mim, por nós… e principalmente por ter acreditado e não desistido do nosso amor

Seu coração é lindo, você é lindo

Nós construímos uma história linda que nunca será esquecida

Você pode não acreditar, mas estou te escrevendo isso com lágrimas nos olhos e meu coração em pedaços

Desculpa não ter sido tudo o que você sonhou

Eu juro que tentei 

Se um dia você quiser conversar e entender o meu lado, eu vou estar aqui com o coração aberto, mas respeito o seu tempo

Me perdoa por tudo 

Te amo até o fim da minha vida ❤️❤️❤️

Eu só conseguia chorar lendo tudo aquilo que ela me mandou, mas nem sabia o que responder. Eu queria responder a duda, queria abrir meu coração pra ela, mas eu não conseguia. Não sei o que estava passando aqui dentro nesse momento. Li três vezes aquela mensagem e não conseguia responder. Acho que agora não é o momento para resposta. Enxuguei minhas lágrimas e voltei lá pra sala.

  • Júnior off

Depois que mandei mensagem pro júnior, bloqueei a tela do meu celular e coloquei no bolso. Queria muito que ele me respondesse, mas também vou entender se ele não me responder, sei que não fui a melhor pessoa para ele nesse momento. Bom, finalmente chegou o momento de embarcar, nós embarcamos e partiu Brasil. Tomei um remédio que me fez dormir o voo inteiro, ainda bem. Desembarcamos em são paulo, pegamos nossas malas e aqui no aeroporto mesmo, nos despedimos do gi, que vai para minas ver a família. O augusto estava aqui a nossa espera.

augusto: duda? você veio

analu: é, trouxe comigo - eles se abraçaram 

eduarda: tava na hora de voltar

augusto: tudo bem? - ele me abraçou 

eduarda: to levando. 

analu: depois eu te conto o que aconteceu.

Fomos saindo do aeroporto, entramos no carro do augusto e ele deu partida. Me senti super aliviada quando chegamos na casa da minha mãe. Eu já fui direto pro quarto. Tomei um banho bem demorado para relaxar depois dessa viagem, coloquei pijama e capotei. Acordei no outro dia com a minha mãe me chamando.

eduarda: oi, mãe.

analu: duda, você tá dormindo a mais de 12 horas, filha.

eduarda: acho que é o remédio que eu tomei pra dormir

analu: levanta, seu avô veio te ver 

eduarda: meu avô?

analu: sim, ele quer te ver

eduarda: to indo 

analu: não demora - ela saiu do quarto

Me espreguicei, peguei meu celular e vi que era 09:40, dormi direto desde ontem. Levantei, fui no banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Desci e fui pra cozinha, onde encontrei meu avô. 

francisco: minha pequena - ele me abraçou 

eduarda: que saudades de você, vô.

francisco: muita saudade. Muito bom ter você aqui.

eduarda: muito bom ter você aqui - abracei ele de novo e fiquei com os olhos marejados.

francisco: não chora, filha.

eduarda: é muita saudade, vô - ele beijou minha testa

Nós sentamos para tomar café da manhã e só de ter meu avô aqui eu já estava me sentindo mil vezes melhor. Quem me conhece sabe o quanto eu amo ter o meu avô por perto, o quanto sou mimada por ele também. Pedi pra minha mãe tirar uma foto minha com o meu avô e postei.

dudapetrinni amor da minha vida 🥰

                               

Meu avô me chamou para ir pra fazenda, passar uns dias lá com ele e minha avó e é claro que eu topei, era tudo o que eu mais precisava. Depois que tomei meu café da manhã, fui para o quarto e fiz uma mala para ir pra fazenda. Tomei um banho, me arrumei e quando estava pronta, desci. Eu e meu avô nos despedimos da minha mãe e do augusto e saímos. Entramos no carro e meu avô deu partida. No caminho, meu celular vibrou, era mensagem do júnior no whatsapp, eu gelei…

domingo, 12 de dezembro de 2021

capítulo setenta e quatro.

 Eu nem sabia o que falar nesse momento, tudo isso que o júnior tem feito por mim, ele é o amor da minha vida mesmo. Eu não queria soltar da minha mãe, tudo que eu mais precisava era ela aqui comigo e o jú fez isso por mim. Já era tarde quando nós subimos pro quarto.

eduarda: jú, você ficaria chateado se eu fosse dormir com a minha mãe essa noite?

júnior: claro que não, meu amor. Eu te levo lá - ele foi indo comigo - cê tá bem? - assenti que sim - sei que é difícil pra nós, pra você muito mais, mas eu só quero te ver bem.

eduarda: obrigada por isso, amor.

Bati ali na porta do quarto que minha mãe estava.

analu: veio me dar boa noite?

eduarda: posso dormir com você?

analu: claro que pode, meu amor

júnior: boa noite, meninas - o jú segurou meu rosto, me deu um selinho e um beijo na testa e depois deu um beijo na bochecha da minha mãe.

analu: o que deu em você de querer dormir comigo?

eduarda: saudades e eu também estava precisando tanto de você. 

Nós deitamos, minha mãe ficou me fazendo cafuné enquanto a gente conversava e eu acabei dormindo. Acordei no outro dia e estava sozinha na cama, me espreguicei, peguei meu celular e vi que era 09:40. Consegui dormir essa noite todinha sem acordar e até estava me sentindo melhor. Incrível como ter minha mãe e o gi aqui já mudou o meu humor, em menos de 24 horas. Saí do quarto e fui pro meu, escovei os dentes e desci de pijama mesmo. Minha mãe estava ali na sala falando no telefone, dei um beijo nela e fui pra cozinha onde estava o giovani e o jaca tomando café da manhã.

giovani: bom dia, tá bem?

eduarda: sim, dormi super bem

jaca: você já tá com uma carinha melhor mesmo, duda.

giovani: tá se recuperando bem

Sentei ali com eles e nós tomamos café da manhã juntos. 

Quinta, 29 de outubro 2020

Hoje faz uma semana que perdi meu bebê. Se eu falar que estou melhor, vou estar mentindo, até porque não tem como se recuperar de uma perda dessas. Estou levando minha vida, do jeito que tem que ser. É um passo de cada vez, sempre. O júnior tá sendo incrível comigo, passa todo o tempo livre do meu lado e fica de 5 em 5 minutos perguntando se eu estou bem. Sobre minha mãe e o giovani, eles também estão sendo maravilhosos comigo mas no sábado já estão voltando para o Brasil. 

(...)

Como ainda preciso manter repouso, passo meus dias nem ter muito o que fazer a não ser repousar todo o tempo que posso. Depois do almoço, fiquei ali deitada no sofá e o gi deitou ao meu lado.

giovani: queria conversar uma coisa com você.

eduarda: comigo? o que?

giovani: é sobre a bárbara 

eduarda: aconteceu alguma coisa com ela?

giovani: não… na verdade aconteceu mas ela pediu pra eu te contar.

eduarda: ai, gi… você tá me deixando preocupada. O que aconteceu?

giovani: ela tá grávida de novo.

eduarda: sério?

giovani: sim, ela não queria te contar por causa do que aconteceu com você, então disse pra ela que contava.

eduarda: que notícia maravilhosa, eu to muito feliz por ela, por ver a família dela crescendo - fiquei com os olhos marejados.

giovani: vem cá - ele me abraçou.

É claro que eu estou feliz pela minha amiga, mas sabe quando bate a lembrança de que nossos babys poderiam crescer juntos, serem melhores amigos? Isso que me deixou assim. Bom, peguei meu celular e mandei mensagem pra Bá, dando parabéns pelo baby que está a caminho e ela ficou super feliz em receber minha mensagem. O resto do meu dia foi bem tranquilo, como sempre fiquei em casa sem ter muito o que fazer. Depois que jantamos, assistimos um filme todos juntos e fomos pro quarto. Eu tomei um banho, coloquei meu pijama, escovei os dentes e deitei. O jú fez o mesmo e deitou ali comigo. 

júnior: tava pensando em amanhã fazer um jantar especial pra sua mãe e pro gi, que vão embora no sábado de manhã. O que você acha?

eduarda: eu acho ótimo, amor. 

júnior: que bom, vai ser especial - ele me puxou pra deitar no peito dele e beijou minha testa.

Nós dois ficamos conversando mais sobre o nosso dia e depois dormimos. Acordei quando senti o júnior se mexendo na cama, abri os olhos e vi ele indo pro banheiro. Fechei os olhos para tentar dormir de novo mas não consegui. Senti ele beijar minha testa e deitar de novo ali do meu lado. 

eduarda: bom dia - disse ainda de olhos fechados

júnior: que susto, pensei que cê tava dormindo - rimos 

eduarda: acordei quando senti você saindo da cama.

júnior: a gente pode dormir mais um pouquinho, to com a manhã livre - ele me abraçou e beijou meu pescoço - e essa cama tá tão gostosa com você. 

eduarda: acho que a gente pode passar a manhã toda aqui.

júnior: sim, concordo - sorrimos e nos beijamos.

Nós ficamos na cama de chamego até as 11:30. Levantamos, tomamos banho e descemos. Depois do almoço, o jú foi jogar um pouco com os meninos e depois foi pra academia. Eu fiquei ajudando minha mãe e o gi com as coisas deles. 

analu: vou sentir saudades.

eduarda: eu também, mas falta pouquinho pra eu ir pro Brasil.

giovani: cê sabe que aquele apartamento é muito vazio sem você.

eduarda: to morrendo de saudades do meu apêzinho. 

A noite, quando estava tudo pronto pro jantar, o jú disse pra eu ir pro quarto porque ele tinha um presente pra mim. Nós subimos, entramos no quarto e tinha uma sacola ali na cama.

júnior: abre

eduarda: você sempre com essas surpresinhas

júnior: eu gosto de te agradar, amor.

Fui abrir e era um macacão branco lindo, bem do jeito que eu gosto.

eduarda: jú, eu amei. Que lindo, amor.

júnior: gostou?

eduarda: muito

júnior: que bom - ele me abraçou por trás - coloca ele pra gente jantar?

eduarda: cê acha?

júnior: sim, vai ficar mais linda ainda

eduarda: tá bom, vou até fazer uma maquiagem 

júnior: isso, quer ver você do jeitinho que sempre foi - ele segurou minha cintura e me virou pra ele - eu te amo, meu amor.

eduarda: eu também te amo, muito - nós nos beijamos.

Tomei um banho e fui me arrumar. A minha mãe veio aqui pro quarto e até arrumou o meu cabelo, do jeito que eu gosto. Eu estava super bem arrumada pro nosso jantarzinho. Aliás, todo mundo estava bem arrumadinho. Parece até que era uma ocasião super especial. Quando fiquei pronta, o giovani ainda tirou algumas fotos minha. Até entrei no instagram para postar, coisa que não faço desde que perdi meu bebê, dei um tempo de redes sociais porque não tinha muita cabeça pra isso. O gi me ajudou a escolher a melhor foto, ele editou e eu postei. 

dudapetrinni 🤍

                                

Só li os primeiros comentários e depois larguei o celular. Nós fomos pra sala de jantar e estava tudo lindo por aqui. Sentamos para jantar e o clima estava maravilhoso, eu estava cada vez mais me sentindo melhor, ainda com todo esse amor que tenho recebido nos últimos dias. Depois que jantamos, nós fomos para a sala. O pessoal estava bebendo vinho mas como eu ainda não podia, fiquei só no suco natural mesmo. 

júnior: queria pedir um minutinho da atenção de vocês…

gil: ih, lá vem ele 

júnior: é sério, pô.

analu: fala, juninho

júnior: queria primeiro agradecer todos vocês que estão aqui e todo o apoio que tem dado a mim e a duda. Nós passamos pela pior perda que um casal pode ter e eu sei que pra Duda foi ainda muito pior, mas ela é uma mulher maravilhosa, forte e tá se recuperando melhor do que de tudo isso. Também quero agradecer a minha sogra e ao giovani que assim que eu chamei, vieram o mais rápido que podiam pra cá, porque a duda precisa deles. E ver o quanto a duda melhorou com vocês aqui por perto, me faz ter certeza de que tomei a decisão correta em trazer vocês pra cá. Bom… eu não queria me alongar muito nas minhas palavras, mas acho que não vou conseguir - rimos - mas agora eu queria falar dessa mulher que eu tenho aqui do meu lado, a mulher mais incrível que surgiu na minha vida quando eu menos esperava. Duda, eu sempre falo e você já deve estar cansada de ouvir, mas você veio pra mudar minha vida, você me fez entender mais sobre o amor, sobre se doar para alguém, sobre mudar a nossa vida por alguém e eu não me arrependo de nada que vivemos juntos. Eu te amo e é uma loucura o quanto esse amor só aumenta - eu já estava com os olhos marejados ouvindo ele falar tudo isso - eu falo isso pra você todo dia, mas agora eu quero ouvir da sua boca de verdade, na frente de algumas das pessoas mais especiais da nossa vida - ele ajoelhou e eu juro que senti meu coração batendo na boca. O júnior pegou a caixinha no bolso - eduarda petrinni, você aceita viver a sua vida toda ao meu lado? Aceita esse cara que erra muito mas que sempre tenta fazer de tudo pra te ver feliz? Aceita ser minha pra sempre? - ele abriu a caixinha revelando o anel.

Eu nem sabia o que falar, juro. Meu coração estava muito acelerado. Olhei em volta e todos estavam esperando pela minha resposta mas eu não conseguia pensar em nada. Eu queria chorar, correr, sair dali, qualquer coisa, menos responder essa pergunta do júnior. Com tudo que aconteceu com a gente, eu não queria ter que passar por essa pressão agora. Estava com medo… Todo mundo continuava me olhando, esperando a minha resposta.

eduarda: júnior… e-eu… não! - todos ficaram chocados com a minha resposta - desculpa - saí correndo dali...

domingo, 5 de dezembro de 2021

capítulo setenta e três

 Quarta, 21 de outubro 2020

Hoje é o dia da minha primeira consulta com a médica aqui de Paris e eu estou ansiosa pra saber se está tudo bem com meu baby. Eu e o jú decidimos que vamos fazer chá revelação, apesar de estarmos ansiosos para saber o sexo do bebê. Quem vai ficar responsável por organizar tudo é a letícia, já que ela está vivendo mais em Londres com o Lewis do que no Brasil, está aqui pertinho de nós e vai nos ajudar com tudo. (...) Depois do almoço, fui me arrumar. Quando saí do banheiro, o jú já estava ali no quarto se vestindo.

júnior: to ansioso

eduarda: eu também, amor 

Quando nós ficamos prontos, saímos de casa. No caminho, vi que ele postou foto com a carol. Abri meu whatsapp e mandei mensagem pra ela.

    Carolzinhaaaaa

    Feliz aniversário, minha musa

    Muitas e muitas felicidades, que Deus abençoe ainda mais a sua vida e da sua família linda

    Você é um dos presentes que ganhei desde que comecei a namorar com o jú, me inspiro muito em você e agora que vou ser mamãe, vou me inspirar mais ainda

    Muita saúde, muito amor e muitas gargalhadas que é uma das coisas que mais amo em você

    Aproveita muito seu dia

    Amo você ❤️

Aii Duda, que coisa mais linda 😍

Muito obrigada!!!!

Você que é um presente nas nossas vidas e principalmente na vida do Davi

Muita saúde pra você e pra esse baby que está a caminho

Te amo, doida kkkkkk ❤️

Chegamos lá na clínica, o motorista nos deixou bem na entrada. Saímos do carro, o jú pegou minha mão e nós fomos entrando. Me identifiquei e fiquei ali esperando ser chamada. Depois de uns 10 minutos, a médica me chamou. Ela se apresentou como Louise, entramos na sala dela e começamos a conversar. Tivemos uma longa conversa, mostrei inclusive os exames que fiz no Brasil. Falei pra ela que queria fazer o exame de sexagem fetal e ela já me encaminhou para fazer. A Louis também me passou algumas vitaminas que são essenciais agora nesse início de gravidez e disse que estava tudo bem comigo e com meu baby que está com 10 semanas. Ela nos liberou e nós fomos embora. Entramos no carro, peguei meu celular e me assustei com o número de chamadas e notificações. Tinha ligação da minha mãe, do giovani, da letícia e do pedro.

eduarda: meu deus!

júnior: que foi, amor?

eduarda: minha mãe, letícia, giovani e o pedro me ligaram muitas vezes. Fiquei preocupada.

júnior: será que aconteceu alguma coisa?

eduarda: vou saber disso agora - liguei pro giovani.

júnior: nem precisa, eu já sei o que é.

eduarda: o que? - cancelei a chamada e peguei o celular do jú pra ver.


“Prima de Eduarda Petrinni confirma que ela e Neymar estão esperando um filho”


júnior: a Luiza contou pra imprensa que você tá grávida.

eduarda: não, ela não fez isso… FILHA DA PUTA!

júnior: amor…

eduarda: júnior, eu vou matar essa garota, eu vou matar ela.

júnior: para, você não vai matar ninguém 

eduarda: meu deus, que ódio. Eu queria dar um soco na cara dela. QUE ÓDIO.

Eu estava sentindo muita raiva. Como ela teve coragem de sair falando e espalhando uma coisa tão pessoal assim minha? Como que sair falando algo tão íntimo de alguém não pode ser considerado crime? Tem muita gente da minha família e do jú e também do nosso círculo de amigos que não sabe dessa gravidez e tudo que a gente mais queria era contar de uma maneira especial, mas agora não existe mais essa possibilidade. Até larguei meu celular porque não queria ver mais nada. Chegamos em casa e eu já fui pro quarto, isso estragou meu dia de verdade. Deitei ali na cama e comecei a chorar. Eu estava fazendo vários planos de como ia dar essa notícia para algumas pessoas e isso foi tirado de mim, sem contar que essa fase da gravidez é a mais complicada e eu só queria viver essa fase quietinha com o jú, para depois tornar isso tudo publico. Meu celular começou a tocar, era uma chamada de vídeo com meus amigos. Atendi.

bárbara: você tá chorando?

eduarda: sim, porque eu to com ódio da Luiza.

letícia: eu to afim de ir pro Brasil só pra dar na cara dela, juro pra vocês.

eduarda: gente, o que eu fiz pra essa garota me odiar tanto? sair expondo minha gravidez assim, ainda mais nessa fase tão complicada de uma gravidez.

pedro: isso é o que me deixa mais puto.

giovani: ela queria ser você, duda. Esse é o sonho dela, é a inveja.

eduarda: foda-se a inveja dela, ela também tá grávida, devia ter um pouco de empatia por mim e por tudo isso que eu estou vivendo.

bárbara: ela não tem nada de bom dentro dela, agora só o bebê mesmo.

Fiquei chorando e conversando com eles, que até conseguiram me acalmar um pouquinho e alegraram meu dia. Também aproveitei para contar pra eles sobre como estava o bebê. Depois que falei com meus amigos, falei com a minha mãe que também estava muito irritada com a Luiza por ter espalhado sobre a minha gravidez. O jú apareceu ali no quarto e ficou conversando com a minha mãe junto comigo. Depois que desliguei, ele me abraçou e me beijou.

júnior: não vamos deixar ela estragar a nossa felicidade, tá bom? - ele passou a mão no meu cabelo e eu assenti que sim - nosso bebê está a caminho e muito saudável, é isso que importa no momento. Esquece Luiza, esquece tudo. A gente não precisa falar nada pra imprensa agora, vamos viver a nossa vida, nós três, juntinhos - assenti que sim e ele me beijou.

eduarda: te amo.

júnior: eu também te amo, meu amor - ele beijou minha testa

Depois que jantamos, o jú veio pro quarto comigo. Tomei um banho, escovei os dentes, coloquei meu pijama e deitei. Ele ficou deitado ali comigo conversando com a barriga e eu nem preciso dizer que fico toda emocionada com uma cena dessas, né?! 

eduarda: vai descer pra jogar?

júnior: sim, mas vou esperar você dormir primeiro.

Ele ficou ali comigo até dormir. Eu tive uma noite de sono terrível, tive vários pesadelos durante a noite, inclusive com a Luiza roubando o meu bebê. Acordei assustada e o jú também acordou com o meu susto.

eduarda: desculpa, jú.

júnior: que foi? tá sentindo alguma coisa?

eduarda: foi um pesadelo

júnior: vem cá - ele me puxou pra deixar no braço dele, ficou fazendo carinho no meu cabelo e eu dormi de novo. 

Acordei pela manhã e o júnior ainda dormia. Fiz um carinho no rosto dele que estava dormindo lindo ali do meu lado. Estiquei o braço para pegar meu celular ali na cômoda e vi que era 08:40, fiquei enrolando mais um pouquinho na cama e levantei, já que não ia conseguir mais dormir. Fui no banheiro, escovei os dentes, me troquei e desci. Entrei na cozinha e tomei meu café da manhã com o Mauro e com mais duas meninas que trabalham aqui. Depois do café, fiquei ali na sala mexendo um pouco no celular. Meu instagram era só sobre a minha gravidez, nem dava vontade de ficar vendo nada. Abri meu whatsapp e tinha mensagem do meu primo.

Oi duda, tudo bem?

Queria conversar com você

Quando puder, me chama

    Oi João

    Pode me chamar quando quiser

    Bjs 

O jú apareceu ali na sala, me deu um selinho, um beijo na minha barriga e foi pra cozinha. Depois que ele tomou café da manhã, foi ali ficar comigo. Ele sentou na outra ponta do sofá e ficou fazendo massagem no meu pé.

júnior: tá bem?

eduarda: sim, to me sentindo bem. Ainda muito irritada com isso tudo, mas fazer o que, né?!

júnior: não tem mais o que fazer mesmo. Mas como eu te disse ontem, a gente não precisa falar nada agora, só quando a gente quiser mesmo. 

eduarda: eu devo ser uma pessoa boa demais pra merecer você

júnior: você é a melhor pessoa do mundo, amor - ele beijou meu pé - é o amor da minha vida.

eduarda: você que é o amor da minha vida - ele veio me beijar 

(...)

Acordei de manhã me sentindo super enjoada e bem tonta. As delícias do primeiro trimestre da gravidez. Fui no banheiro vomitar e depois quando saí, quase caí.

júnior: amor, tudo bem?

eduarda: eu to muito enjoada, jú.

júnior: deita aqui - deitei - quer alguma coisa?

eduarda: água, to com a boca seca 

júnior: já volto

Ele saiu e logo voltou com o copo de água cheio, tomei mais da metade e deitei de novo.

eduarda: to muito tonta

júnior: vou ficar aqui com você, tá?!

eduarda: amor, não quero atrasar seu dia. Você tem seus compromissos, isso tudo que eu to sentindo é normal da gravidez, pode ir.

júnior: vou não, você e nosso bebê em primeiro lugar sempre - ele fez um carinho no meu rosto - só saio daqui quando você melhorar.

Ele ficou o tempo todo ali comigo, não saiu um segundo. Quando eu já estava me sentindo melhor, consegui levantar e o jú foi pro ensaio que ele tinha hoje. Desci e o mauro tinha preparado um lanche pra mim.

mauro: juninho pediu pra eu preparar, disse que você não tava bem mas precisa se alimentar, né?!

eduarda: ele é incrível mesmo. Obrigada Mauro.

Fiquei comendo enquanto ele me fazia companhia e depois fui pra sala. Fiquei deitada ali no sofá, porque estava sem forças pra nada, nada mesmo. Meu dia foi todo assim, me sentindo mole e cheia de enjoo. O jú chegou em casa no final da tarde e ficou me fazendo companhia. Hoje, apesar de ter que sair pra trabalhar, todo mundo que esteve em casa, ele ficou comigo. Eu subi pra tomar um banho, quando estava no banho, senti alguma coisa estranha e vi aquele sangue escorrendo pelas minhas pernas, o que me deixou apavorada. Comecei a gritar pelo júnior que entrou ali no banheiro correndo.

júnior: que foi, duda?

eduarda: eu to sangrando, amor

júnior: calma, calma - deu pra ver que ele estava nervoso, mas não sabia o que fazer - vamos pro hospital, sei lá.

Desliguei o chuveiro, me enxuguei e me vesti. Eu estava me sentindo super mal ainda e agora esse sangramento, que estava me deixando com muito medo. O jú foi me ajudando com tudo. Peguei minha bolsa e quando descemos, o motorista já estava a nossa espera.

neymar: deem notícias pra gente.

jota: não querem que eu vá junto?

eduarda: não precisa, jota

jota: deem notícias pra gente, por favor 

júnior: vamos, amor.

Ele foi me ajudando a ir até lá fora, entramos no carro e o motorista deu partida. Eu fui o caminho todo chorando, com medo. O jú também estava com medo, mas estava mantendo a calma por mim. Chegamos muito rápido no hospital, me identifiquei e já me levaram para fazer exames. Não demorou muito e um médico chegou para me atender, ele se identificou como Andrew. Ele conversou um pouco comigo, contei tudo que senti durante o dia e depois ele foi me examinar. Fomos fazer a ultrassom transvaginal e ele ficou muito atento olhando pra tela. O jú ficou segundo a minha mão e ficava apertando, de tão apreensivo que estava. Apesar de não entender nada, eu não tirava os olhos daquela tela. Ele terminou de me examinar.

júnior: e aí?

andrew: olha… vocês ainda são jovens, vão ter outras oportunidades…

eduarda: NÃO - eu já comecei a chorar - É MENTIRA, NÉ?!

andrew: você teve um aborto, mas é super comum nessa fase da gestação, acontece muito mais do que a gente imagina.

eduarda: NÃO, NÃO PODE SER… NÃO 

júnior: duda, calma - ele me abraçou - calma 

eduarda: EU NÃO ACEITO

andrew: eu vou deixar vocês sozinhos. Sinto muito - ele saiu da sala.

eduarda: por que isso tá acontecendo com a gente, amor? POR QUE?

júnior: amor, calma… não faz isso comigo - ele começou a chorar - não faz isso comigo.

eduarda: POR QUE? POR QUE COM A GENTE?

Nós dois ficamos chorando abraçados. Mesmo que esse bebê não tivesse sido planejado, a gente quis muito desde que descobriu. Nós já tínhamos planos, o quartinho, os nomes, tudo… E agora receber uma notícia dessas, isso acabou comigo. Eu ainda tive que ficar aqui para fazer o processo de curetagem e depois de duas horas de repouso, o médico me liberou. Nós entramos no carro e o motorista deu partida. Eu fui quieta o caminho todo, porque nem chorar eu conseguia mais. Estava me sentindo vazia por dentro, porque agora nada mais estava fazendo sentido na minha vida. Nós chegamos em casa e, como jú já tinha dado a notícia pra todo mundo, o pessoal veio me abraçar, mas eu não conseguia reagir. 

júnior: vem, amor - entramos no elevador e fomos pro nosso quarto. Entramos no quarto e ele ajeitou os travesseiros pra eu deitar - quer alguma coisa? - neguei com a cabeça - certeza?

eduarda: não quero nada, jú.

júnior: vou pegar uma água pra você tomar o remédio que o médico receitou, tá bom? - assenti que sim e ele saiu do quarto.

O júnior voltou um pouco depois, me deu o remédio e a água, tomei, me ajeitei ali na cama e fiquei quietinha. Eu não queria e nem conseguia pensar em nada que não fosse o meu bebê. O jú foi tomar banho e quando saiu do banheiro, deitou ali comigo. Ele me abraçou por trás e beijou minha bochecha.

júnior: eu não vou sair do seu lado, nunca.

Nem ouvi mais nada, porque fechei os olhos e dormi. Dormi sem acordar nenhuma vez durante a noite, deve ser o efeito do remédio, quando acordei o jú não estava mais na cama. Peguei meu celular e vi que era 10:45, dormi pra caramba. Meu celular estava cheio de mensagens no whatsapp e ligações perdidas, mas eu não queria ver nada e nem falar com ninguém, porque sei que só iam falar sobre o meu bebê e o que eu menos quero é lembrar disso tudo. Fiquei na cama, porque também não queria levantar e precisava manter esse repouso, depois do procedimento que fiz ontem. Bateram ali na porta do quarto, dei permissão para entrar e era o mauro com uma bandeja.

mauro: oi, duda. Trouxe seu almoço.

eduarda: eu to sem fome, mauro

mauro: mas você precisa comer, ainda mais que está tomando remédio. Come só um pouquinho, pode ser? - sentei na cama e ele me deu a bandeja - só um pouquinho.

eduarda: vou fazer um esforço porque to sem fome nenhuma - dei só cinco garfadas contadas no prato que ele me trouxe - chega, não quero mais.

mauro: duda, você não comeu quase nada.

eduarda: eu to sem fome nenhuma, juro pra você.

mauro: tudo bem, depois trago um lanche pra você. Fica bem - ele beijou minha testa e saiu do quarto.

Deitei de novo, me aconcheguei ali na cama e dormi de novo. Só acordei com o júnior me chamando.

júnior: oi, meu amor. Tá melhor? - ele fez um carinho no meu rosto - você dormiu o dia todo?

eduarda: eu não quero sair da cama, jú.

júnior: tudo bem, você não precisa sair daqui mesmo. Vou tomar um banho e já venho ficar aqui com você - ele me deu um selinho e foi pro banheiro.

Vi no meu celular que era 19:20, dormi praticamente o dia todinho. Abri meu whatsapp e a última mensagem foi o giovani que me mandou. Abri para ler.

Se você precisa de mim, me liga, me chama por aqui

Qualquer coisa

Mas não fica assim sem falar nada

Não sei a dor que vc está sentindo mas imagino que deve estar sendo horrível

Não esquece que eu to aqui pra você SEMPRE

Te amo 

Fica bem, meu amor

    Vem pra cá ficar comigo, por favor!!!!

Eu chorei só de ler aquela mensagem dele. O jú saiu do banheiro, disse que ia descer pra comer mas logo voltou trazendo o meu jantar e o dele.

eduarda: eu to sem fome, jú.

júnior: um pouquinho só, amor. Por favor.

Consegui comer um pouquinho mais do que no almoço e ele desceu pra levar nossas bandejas. Levantei da cama só pra tomar um banho mesmo, vesti o pijama de novo, escovei os dentes e deitei. Liguei a tv e deixei em qualquer canal, só pra me sentir menos sozinha aqui nesse quarto mesmo, já que o júnior não voltava nunca. Ele deve ter ido jogar com os meninos. Saí do quarto para pegar uma água, fui na cozinha, tomei um copo de água e quando estava voltando, levei um susto ao ver minha mãe e o giovani entrando junto com o jaca.

eduarda: mãe!

analu: filha - ela veio me abraçar e nós duas começamos a chorar - eu tava louca pra te dar esse abraço, meu amor.

eduarda: como assim você aqui?

analu: o juninho mandou buscar a gente, ele sabia o quanto você precisava de nós - ela enxugou minhas lágrimas - meu bebê, não vou sair do seu lado.

giovani: cheguei pra ficar com você, como você me pediu - ele me abraçou - to com você pra sempre, sempre.

O jú apareceu ali na sala.

júnior: que bom ter vocês aqui - ele abraçou os dois 

analu: obrigada por ter nos chamado imediatamente.

júnior: ela precisa de vocês

Eu nem sabia o que falar nesse momento, tudo isso que o júnior tem feito por mim, ele é o amor da minha vida mesmo…